Dentista pode aplicar bioestimulador de colágeno?
Pela norma do Conselho Federal de Odontologia, pode: a Resolução CFO-198/2019 inclui o uso de biomateriais indutores percutâneos de colágeno entre as competências da Harmonização Orofacial, nos terços superior, médio e inferior da face. Bioestimuladores como o ácido polilático e a hidroxiapatita de cálcio são esses biomateriais. A resolução foi considerada ilegal pela 8ª Turma do TRF1 em agosto de 2026, e o CFO informou que vai recorrer, afirmando que até o fim do processo as atribuições do cirurgião-dentista seguem as mesmas. Na escolha, o critério prático é o de qualquer injetável: registro ativo no CRO, produto registrado na Anvisa e avaliação antes da indicação.
O que é um bioestimulador, em termos de norma
Para a Anvisa, bioestimuladores injetáveis são dispositivos médicos de classe de risco III ou IV, a mesma categoria dos preenchedores de ácido hialurônico. Só podem ser vendidos com registro, e o registro vem acompanhado de instruções de uso com indicações definidas.
Para o CFO, eles entram no que a Resolução CFO-198/2019 chama de biomateriais indutores percutâneos de colágeno. A mesma resolução exige que o curso de especialização em Harmonização Orofacial tenha disciplina específica sobre esses indutores.
A distinção entre as duas camadas importa: a Anvisa diz se o produto pode circular, e o conselho diz quem pode aplicá-lo e onde.
Onde o dentista atua com ele
Para a Harmonização Orofacial, a Resolução CFO-198/2019 descreve o uso de indutores de colágeno nos terços superior, médio e inferior da face. A Resolução CFO-284/2026 define a área anatômica do cirurgião-dentista como a região da cabeça e do pescoço. Aplicação de bioestimulador no corpo, como em glúteo, abdome ou braços, está fora do território odontológico.
Na face, as indicações mais comuns envolvem flacidez e perda de firmeza da pele, em regiões como contorno mandibular, terço médio e região lateral do rosto. A indicação sai da avaliação, não da região que a paciente escolhe por conta própria.
Por que a indicação pede avaliação cuidadosa
O bioestimulador não entrega volume imediato como o ácido hialurônico. Ele estimula a produção de colágeno ao longo de semanas e meses, e por isso o resultado é gradual e difícil de antecipar em detalhe na primeira consulta.
Ele também não é dissolvido por hialuronidase. Essa diferença em relação ao ácido hialurônico torna a indicação e a técnica ainda mais relevantes, e é um dos pontos que uma avaliação séria explica antes de qualquer aplicação.
Existe risco, como em todo procedimento injetável, e ele é discutido na consulta à luz do seu histórico e da região a tratar.
Conteúdo sob responsabilidade técnica de Dra. Paula Almeida, CRO-RJ 49390. Atualizado em . Este texto é informativo e não substitui a avaliação presencial.
Dúvidas comuns
Dentista pode aplicar bioestimulador no corpo?
Não. O escopo descrito pelo CFO para a Harmonização Orofacial é a face e as estruturas anexas. Aplicação corporal fica fora do território odontológico.
O curso de especialização inclui bioestimuladores?
Inclui. A Resolução CFO-198/2019 exige carga mínima de 500 horas e lista os indutores percutâneos de colágeno entre as disciplinas mínimas da área de concentração.
Só o especialista pode aplicar bioestimulador?
Segundo o CFO, os procedimentos da área são prerrogativa do cirurgião-dentista com formação adequada. O título de especialista é o que permite se anunciar como tal, e aparece na consulta pública do CRO.
